"O fato é simples: Nós também não nos conhecemos plenamente. Não sabemos o quão somos estranhos de nós mesmos. Não sabemos o que somos capazes de fazer, e muitas vezes não nos reconhecemos em determinadas atitudes."

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O ESTRANHO

 por Jailson Freire

Quando alguém nos é apresentado temos a satisfação de conhecer mais uma pessoa num universo de milhões de pessoas. É como se estivéssemos juntando pérolas, pois amizade é algo muito bom. É bom poder ter amigos e é melhor ainda se temos amigos com os quais possamos contar.

É fato inegável que há amigos mais chegados que irmãos. Pessoas que o Senhor do universo nos apresenta para que sejam como anjos enviados a nos ajudar, aconselhar, encorajar, e apontar o caminho que devemos seguir em determinado tempo de nossa existência.

Todos nós somos iguais, mas existem pessoas mais iguais que outras? Todos nós somos humanos, mas existem pessoas mais humanas que as outras? Todos nós somos semelhantes, mas isso não nos torna tão conhecidos um dos outros. Sabemos o que é uma dor, pois em algum momento de nossa vida, todos já sentiram essa sensação horrível. Isso nos tornaria conhecidos? Não é porque sabemos o significado dessa sensação, que conhecemos uns aos outros.

Conhecer alguém não se restringe apenas a sermos apresentados, sabermos o nome, endereço entre outras coisas.

A convivência nos ajuda a conhecer alguém um pouco melhor, mas nunca conheceremos alguém completamente. Nunca saberemos quem alguém é de fato. Somos estranhos, pois jamais seremos o que parecemos ser de fato. Jamais nos mostraremos por inteiro. Jamais diremos o que somos e de que somos capazes.

O fato é simples: Nós também não nos conhecemos plenamente. Não sabemos o quão somos estranhos de nós mesmos. Não sabemos o que somos capazes de fazer, e muitas vezes não nos reconhecemos em determinadas atitudes.

Somos estranhos e o Senhor da existência bem sabe disso. Ele sabe exatamente quem somos, pois apenas ele nos conhece de fato. Ele sabe exatamente o “estranho” que cada um de nós carregarregamos. Ele sabe do que somos capazes de fazer quando o nosso “eu melhor" tira um cochilo. Ele sabe tanto que nos enviou o socorro para o caso do “estranho” entrar em ação.

Isso já aconteceu antes:

Um homem que renasce depois de semeado como uma semente ao chão derrubado por um cavalo assustado que como ele ouve uma voz que aparece do nada.  Um obstinado a contar a todos quanto pudesse a história mais absurdamente verdadeira que a humanidade poderia ouvir. Um mensageiro dos céus e do por vir... um proclamador da melhor das notícias. Um sujeito escolhido para ser um embaixador na terra. Deixou o “estranho” abandonado por ele ao chão em que caiu para renascer para uma nova vida. Todavia o “estranho” não deixou nem um minuto se quer de segui-lo em sua caminhada para o alvo eterno.

Um clamor ensurdecedor que tenta a todo custo afastar o “maldito estranho” para longe dele: “Quem me livrará do "estranho" dessa morte” disse ele num momento esquisito de sua carreira. Clamou aos céus por três ocasiões em que se sentiu mais fraco, a fim de que fosse liberto, mas a resposta dos céus fora taxativa: “Meu cuidado te basta! O que eu posso fazer em sua vida será cada vez mais perfeito à medida que o “estranho” que habita em você se manifeste”.

Em que somos diferentes de Paulo? Em que somos melhores ou piores que ele? Somos semelhantes e iguais. Temos os mesmos defeitos e dilemas. Todos têm o mesmo “estranho” a nos constranger em nossa caminhada rumo ao alvo eterno. Todos nós somos conhecidos e todos nós temos um "estranho" que é falso, miserável, avarento, presunçoso, lascivo, maldoso e etc. Todavia, todos têm um que é conhecido de nossa alma e que combate conosco. Todos têm o escape, a saída para a vida. JESUS!


"Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?"  (Romanos 7 : 24)


"E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo."  (II Coríntios 12 : 9)

Um comentário:

  1. Bela reflexão, meu caro Jailson

    Na frase dita por Cristo "Ame ao próximo como a ti mesmo" , eu gosto de substituir a palavra próximo por estranho, justamente para enfatizar a estranheza que habita em nós.

    Amar ao "ESTRANHO" é, sobretudo, reconhecer que a ESTRANHEZA que mora em mim, é parte intrínseca do OUTRO, também.

    Abraços,

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